A consulta ginecológica é o ponto de partida do autocuidado: é nela que a rotina de exames é organizada, as dúvidas ganham resposta e qualquer alteração é investigada cedo.
O acompanhamento inclui escuta e anamnese, exame físico, coleta do preventivo, microscopia do conteúdo vaginal, avaliação do ciclo menstrual, orientação contraceptiva, cuidado com infecções e desconfortos íntimos, como a dor na relação sexual, investigação de dores e o acompanhamento de cada fase, da primeira menstruação até a menopausa.
Se ao longo desse acompanhamento alguma alteração for encontrada, você é encaminhada para o especialista certo. Quando a alteração é mamária, o cuidado continua comigo.
Tudo acontece com escuta e explicação; você entende o que está sendo feito e por quê, e participa de cada decisão sobre o seu corpo.
Um relato da Dra. Sara
A primeira paciente que atendi na ginecologia eu nunca esqueci. Ela tinha quarenta e poucos anos e chegou com uma queixa: "doutora, estou com uma coceira lá embaixo".
Eu perguntei onde era esse "lá embaixo". Eu sabia, mas queria que ela dissesse. Perguntei se era na perna, no pé, onde. E ela, com muito custo e um pouco de vergonha, disse: na vulva, na vagina.
O consultório é um lugar de acolhimento e de segurança, e ali eu pude conversar com ela sobre por que nomear importa. Quando você fala, aquilo passa a pertencer a você. Se ela olhasse, se pegasse um espelho, aquela parte do corpo voltaria a ser dela, porque é dela.
Falamos também sobre a importância de olhar o que coça. Será que é uma pinta? Uma lesão? O corpo dá sinais. Quando a gente não consegue olhar, não vê, e só procura ajuda quando a questão já evoluiu, o cuidado fica mais difícil.
Quando procurar
- Consulta de rotina em atraso ou exames desatualizados
- Corrimento, coceira ou desconforto íntimo persistente
- Cólicas intensas ou alterações no ciclo menstrual
- Dor na relação sexual
- Dúvidas sobre contracepção ou reposição hormonal
Perguntas sobre este cuidado
Com que frequência devo ir à ginecologista?
Em geral, uma consulta de rotina por ano. Situações específicas, como sintomas novos ou acompanhamento de tratamento, pedem retornos mais próximos, sempre combinados com você. E vale saber: queixas como corrimento pedem a microscopia do conteúdo vaginal, a análise do conteúdo vaginal que eu mesma faço aqui no consultório.
A partir de que idade fazer o preventivo?
Para toda mulher a partir dos 25 anos que já teve relação sexual. A periodicidade é relativa e definida de acordo com cada caso, na consulta.
Posso ir à consulta menstruada?
Depende. Se o seu objetivo é apenas a rotina ginecológica para coletar o preventivo e você não tem nenhuma queixa, esse não é o melhor momento. Mas se você tem queixas, não deixe para depois: venha mesmo menstruada. Cólicas intensas, dor na mama, uma lesão que apareceu, tudo isso pode ser avaliado. Só a coleta do preventivo é que precisa esperar.
